domingo, 31 de outubro de 2010

Jogo





A minha pintura é sobre a pintura e está em renovação perpétua, submetida às suas aparências, ao seu contínuo jogo de forças.
Procuro exercer uma acção, mais ou menos decisiva, dentro das minhas possibilidades de pintor e sinto, muitas vezes, o peso do acaso. Se funciona, muito bem, se não funciona, recomeça-se, num eterno jogo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Decadência

Sempre me fascinaram os ciprestes. Lembranças de Arnold Bocklin, de Van Gogh, da morte, ou simplesmente, pela sua forma e cor?
Não sei, mas essa atracção vem de há muito tempo. Há um quarto de século plantei, eu próprio,
na minha casa do Gerês, inúmeros ciprestes, tantos quantos os que pintei. Agora,  no final da vida,
sempre que vejo um cipreste penso na Itália e associo-o à extinção da vida e de uma civilização.

Autonomia

"O pintor pensa em formas e cores. A intenção não é reconstruir um facto anedótico, mas sim construir
um facto pictórico."
Georges Braque
A pintura baseia-se no facto de que só está no quadro o que está no quadro. O que vês é o que vês.
A pintura não é a representação de qualquer facto da realidade nem a ilustração de qualquer teoria.

sábado, 9 de outubro de 2010

Flores para ela

Dias difíceis, inesquecíveis, quando tudo parece desmoronar-se, quando te abrem as entranhas, quando as  lágrimas se soltam dos meus olhos, quando tudo é vermelho de sangue, só resta, no fundo, o verde da esperança e as flores que te ofereço.
As palavras não exprimem o que sinto, pela dificuldade em manejá-las, é pelas imagens que melhor revelo
as minhas emoções, toda a vida foi assim!

A Vida

Nascemos protegidos, indefesos, num ambiente acolhedor. Entrámos na idade adulta e tornamo-nos fortes,
brilhantes, cheios de esperança no reconhecimento das nossas capacidades. O mundo é nosso, tudo é possível.
Quando menos esperámos atingimos o fim, ou antevemos a morte. Num derradeiro esforço tentámos,  inútilmente, voltar para trás. Nada adianta e ainda que as lágrimas surjam, a morte é inexorável.