terça-feira, 31 de agosto de 2010

Qualidade vs visibilidade

A qualidade de uma obra de arte é, quase sempre, ignorada por qualquer crítico, dito emergente, no afã de poder vender a mercadoria da última novidade.
A visibilidade de um artista depende, infelizmente, mais de um crítico ou de um comissário - "curator", como se chama actualmente - do que da própria qualidade da obra por si produzida.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Autor ou intérprete ?


Hoje, paradoxalmente, a explicação não nasce a partir da obra, mas, em muitos casos, é a obra que nasce da explicação. A explicação chega a tornar-se mais importante que a obra, e em muitos ocasiões, chega mesmo a substitui-la.
Dado que a obra não se exprime por si própria, mas depende da explicação, é muito importante quem dá a explicação e assim o primordial não é o artista mas o explicador! 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sem aditamentos

O que realizo deve ser encarado como o que produzi. Quaisquer informações complementares ou comentários são absolutamente supérfluos. Se estes forem necessários é porque o que fiz são maus objectos que não merecem ser considerados.

Sem preconceitos

A maioria das pessoas acerca-se da arte com ideias preconcebidas, não com a mente aberta, mas com referências intelectuais, sem escutar os seus sentimentos. Deveria guiar-se mais pela emoção do que pela reflexão intelectual. Se assim acontecesse não se cairia no logro de julgar pelas ideias, por vezes enganadoras, dos outros. Assim se evitaria seguir as opiniões cretinas de certos "teólogos" da arte.
  

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Questão de estilo

Toda a minha obra é uma recusa ao estilo e ao sistema. Transito de uma tendência para outra sem quaisquer remorsos ou vontade de me fixar num género, antes absorvendo aquilo que mais me seduz em cada um dos estilos reiventando uma forma própria que, de certa maneira, constitui o meu "estilo".
Não persigo nenhuma intenção, nem estilo, nem sistema, além da própria pintura.

Perplexidade

Há muito tempo que nasci. Há muito tempo e há pouco tempo. Não compreendo muito bem o que se passou, restando-me pouco tempo para compreender o que até agora não compreendi e não penso que possa vir a fazê-lo. Tampouco chego a admitir a minha existência e a admitir-me a mim próprio.
Deus faz que creia em ti!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Coerência

Creio que trabalho com o mesmo sentimento em todos os quadros.
A forma é muitas vezes diferente, mas, no fundo, onde parece haver
uma incoerência há sempre uma sequência, um profundo respeito pela
verdade do que julgo ser a pintura.

Água de sangue



 Não há verdades absolutas, e muito menos para a arte, e ainda menos, para a arte contemporãnea. No entanto podemos admitir que, para todos, a beleza é a linguagem da solidariedade humana. Friedrich Schiller afirmava que só ela tornava o mundo feliz e que a cultura é a única harmonia verdadeiramente social. As  "verdades" estéticas são no entanto algo de subjectivo dependendo sempre do ponto de vista do observador.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

E Depois ?


A paz é algo que procuro todos os dias, mas é algo tão difícil como o estilo de vida sereno, em silêncio, longe da vida mundana. Embora pense que o artista não é nenhum monstro isolado da realidade, também penso que para criar, deve isolar-se como o investigador no seu laboratório. Gosto de estar próximo da natureza, preciso do seu contacto e sou feliz enquanto possa estar próximo dela. Para mim o essencial são, hoje, as questões fundamentais: que é a vida ? o que se passa depois da morte ?

Confissão

Com a idade sinto-me mais apegado à essência da terra, mais romântico e selvagem, mais delicado e sereno, com mais necessidade de olhar para dentro. Com este pensamento sinto-me mais estimulado a esquecer as minhas misérias. Ainda que não tenha tido uma existência infeliz, como pessoa sinto-me em constante estado de ansiedade.

domingo, 22 de agosto de 2010

Ver a paisagem, ou ver o mundo?

O meu  estúdio, no Gerês, mais do que uma torre de marfim, é um espaço de resistência, é como uma ilha onde os monges se ocultam para preservar o conhecimento. O trabalho dá-nos um momento de paz, onde tudo está unificado.

Retorno ao velho

Seis anos depois volto ao velho blogue.Depois de acontecimentos importantes na minha vida, eis que volta a surgir uma antiga ideia de diálogo com os meus amigos e conhecidos. Vámos a ver se isto funciona, se sou capaz de dar conta do recado ou, ainda, se os incêndios por estes lados queimaram tudo,inclusive a imaginação.